Archive for June, 2008

Como você assiste filmes e seriados? E como ouve música?

Muito provavelmente, nossa resposta pra pergunta do título caracterize algum tipo de crime. O Pedro Doria fala disso na sua coluna do Link de hoje, comentando sobre as leis que tentam regulamentar esta questão dos direitos autorais no mundo digital mas, na prática, acabam tornando todo mundo criminoso.

Triste, mas verdade. As leis, praticamente impossíveis de serem seguidas, refletem o descompasso entre a realidade de quem consome (nós, a audiência) e a realidade de quem produz (eles, as gravadoras, os estúdios). Enquanto “eles” não chegarem a um acordo sobre o que é justo para cada parte, considerando os novos meios de distribuição de conteúdo, “nós” vamos continuar pagando o pato.

Depois da greve de meses dos roteiristas, parece que, agora, os atores também vão parar. É chato, mas, se for contribuir para uma solução, acho válido. Concordo que é preciso repensar o modelo de remuneração da cadeia toda, levando em conta o fator internet, que realmente mudou tudo. O programa de tv não passa mais só na tv, a música não toca só no rádio ou no cd player e o filme não é visto só no cinema, no dvd. Sim, a gente acessa e faz download desse conteúdo todo online. Isto é fato. Então tá, é preciso redefinir os padrões dos contratos todos. Mas rápido. Porque enquanto “eles” discutem e tentam preservar suas receitas, restringindo o acesso ao conteúdo digital, a pirataria só cresce.

Quem quer se manter na legalidade sente no bolso.

netflix itunes

Exemplifico com minha experiência com filmes: recebo DVDs via Netflix, mas, quando quero assistir algo na hora, recorro ao iTunes (pros lançamentos), ao marketplace do Xbox Live (se quero assistir direto na tv, não no computador), ao Hulu (se não estou buscando algo específico).

Testo de tudo :) mas estou desistindo. Os serviços gratuitos legais ainda têm muito pouco conteúdo. E nos serviços pagos, a brincadeira está saindo cara demais. Quero pagar, mas os preços estão absurdos.

O Netflix lançou recentemente seu player pra tv, que é um console que permite aos assinantes assistirem na televisão todo o acervo online, na hora que quiserem, sem aumento no valor da mensalidade. Achei que era o modelo perfeito. E, como modelo, até é, mas adivinha? A biblioteca online ainda é restrita (só 10% do acervo de DVDs), por causa dos vários conflitos de interesse dos principais estúdios de cinema.

É, ainda vai levar um tempo até essa novela ter fim. Enquanto isso, continuaremos sendo “criminosos”. Mas, pegando carona no texto do Pedro Doria:

“Se a lei torna todo mundo criminoso, o problema não é da sociedade. É de quem fez a lei”.

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Tecnologia tira emoção do esporte?

Até pouco tempo atrás, não tinha uma opinião completamente formada sobre o uso de resursos tecnológicos no esporte. Na verdade, sempre fui favorável a todo tipo de recurso pra evitar erros de arbitragem, mas tinha um pouco de dúvida sobre o impacto da adoção de tecnologia na emoção do jogo.

Por isso, foi ótimo ter assistido a alguns jogos de tênis no Sony Ericsson Open deste ano. Foi o primeiro torneio usando o sistema Hawk-Eye dentro das novas regras unificadas. É assim: os jogadores têm direito a questionar a marcação do juíz de linha, solicitando o replay das câmeras, podendo errar 3 vezes por set. Desta forma (número limitado de challenges), evita-se que o jogo seja interrompido várias vezes por estratégia/malandragem. No aspecto “emoção”, comprovei na prática: não há perda nenhuma, pelo contrário.

O jogo era Federer contra Andy Roddick. Jogão. A quadra principal lotada, apoiando o americano Roddick. Em um dos sets, Federer acha que sua bola foi dentro, apesar do juiz ter indicado o contrário, e pede o video-challenge. Nos telões, a repetição do trajeto da bola. E o que eu vi foi a platéia toda de olho na tela, torcendo de novo. Ao sair o resultado (out), confirmando a marcação anterior, nova comemoração. O mesmo ponto comemorado 2 vezes. Perda de emoção? De jeito nenhum.

Aí, depois disso, fui ver como andava essa discussão no futebol. Descobri que a Fifa vetou o uso de qualquer recurso tecnológico para ajudar os juízes. Não encontrei nenhuma boa justificativa. Puro conservadorismo.

Hoje, não tenho mais nenhuma dúvida. Qualquer que seja a modalidade, pensando na experiência toda, acho que o uso de tecnologia, bem aplicada, só enriquece o esporte. Sou a favor, e você?

Centenário da imigração japonesa, escultura e interatividade

Neste fim de semana, meu pai foi até o Parque do Carmo, conheceu o escultor japonês Kota Kinutani e me mostrou o trabalho que ele está fazendo. O artista foi convidado para criar um monumento em homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil.

Achei o conceito do projeto muito bacana. Ao invés de uma obra para ser contemplada, Kinutani projetou peças pensando na interação com todos os frequentadores do parque.

“Meu sincero desejo é o de que diversas pessoas possam interagir com a escultura, especialmente as crianças, que poderão subir, entrar, escorregar e sentir as pedras. Ficarei muito feliz se este monumento puder contribuir para o futuro das relações nipo-brasileiras”.

O projeto é composto por 6 peças de granito japonês, representando os 6 continentes, que serão dispostas em um círculo. No centro, representando o sol, ficará uma sétima escultura, que está sendo feita em granito vermelho Red Dragon, vindo do Ceará.

A foto da direita mostra uma das 6 peças, que tem uma escada e um escorregador dentro.

“Imagino as crianças surgindo de dentro da pedra enquanto trabalho na escultura”.

Muito legal a forma como o artista promove, com arte e interatividade, a mensagem de integração entre povos e culturas.

Cloverfield, Lost, Bruxa de Blair e o “novo” jeito de fazer entretenimento

Ao contrário do que o título deste post possa indicar, eu não gosto de filmes apocalípticos e, muito menos, de filmes de terror. Então, Cloverfield e Bruxa de Blair passam longe do meu “top 5 movies”. Pra completar, sou uma das poucas pessoas do mundo que não assiste Lost. Mas gosto das discussões que eles geram (geraram) e dos caminhos que traçaram, mostrando esse jeito “novo” de fazer entretenimento.

Ia fazer um texto sobre isso, mas aí lembrei desse e-mail que o Alê me mandou logo depois que assistimos Cloverfield e que fala muito bem disso. Então, com a devida autorização, copiei o e-mail aqui:

“Pois é, Clau, cheguei em casa e foi meio impossível resistir a tentação de procurar mais sobre o filme. Já tinha fuçado um pouco antes no ARG que o antecedeu, mas a correria não tinha me deixado ir muito longe. Bom, a investigação durou a madrugada e acabei me deparando com um monte de conteúdo complementar ao filme. Nada que fosse essencial para o entendimento conceitual do roteiro, mas, sem dúvida nenhuma, eram coisas muito interessantes e que acabaram tornando minha experiência com o filme muito mais rica.

Claro que ARG já é algo quase-comum, mas, como tudo na vida, existe o bem feito e o mal feito. E, pra mim, se tem um cara que anda aproveitando bem todo esse lance de novas mídias é esse tal de JJ Abrams. Admito ser um pouco suspeito falando dele, por ser um fã confesso, radical e briguento de Lost, que ele produz. Mas a própria série é um exemplo claro de bom uso das trocas de realidade. Lost experience, o primeiro ARG da série, lançado na segunda temporada, se não me engano, foi ótimo. Com direito a invasão e retirada dramática da personagem na comicon acusando atores e produtores de complôs malignos contra humanidade. Posso ser bobo, mas acho bem legal o filme ou a série não acabar quando desligo a TV ou saio do cinema. Até por que, você bem sabe, raramente isso acontece comigo, ruim ou bom, o filme sempre acaba virando motivo de longos pensamentos ou de preferência, longas conversas. O mesmo vale para o começo. De novo, posso ser bobo, mas, não é legal assistir a uma história já devidamente imerso nela? Me lembro da primeira vez que isso aconteceu comigo e o tanto que isso me marcou. Faz um tempo já, foi com Bruxa de Blair. Entrar no site, ver as entrevistas com as famílias que perderam os filhos, com o acusado dos assassinatos, ler as pistas, as lendas. Foi fantástico e, com certeza, essencial para minha excelente relação com o filme.

O que quero dizer é que acho que, em termos de experiência, talvez só lançar o filme no cinema tenha ficado obsoleto (pelo menos para bobos como eu). Alguma relação com o mercado em que trabalhamos? ;)

Faço dessas as minhas palavras :) Concordo muito. Não dá mais pra pensar só cinema ou só site ou só tv ou só-qualquer-canal-que-seja.
Não é só que o jeito de fazer entretenimento mudou. O ponto é que, como espectadores, o nosso jeito de consumir entretenimento está diferente também. Cloverfield, Lost, Bruxa de Blair… ainda que não goste do estilo dessas histórias, gosto das experiências que proporcionam. E, vocês sabem, it’s all about experience ;)