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Valeu, Miami. Próxima parada: Atlanta.

A relação que desenvolvemos com as cidades onde moramos é como um namoro. Ou um casamento, talvez. Como em todo relacionamento, existem pontos altos e baixos, crises e momentos inesquecíveis. Como em todo relacionamento, a convivência fica mais legal quando a gente aprende a entender e aceitar, sem condescendência, o outro.

Sou paulistana e amo São Paulo, não consigo evitar. É caótica, feia, tem um trânsito ridículo, violência e poluição. Mas é também a cidade onde estão minhas raízes, minha família, os meus melhores amigos… e a melhor pizza do mundo :) Minha infância, adolescência e boa parte da minha vida adulta foram (muito bem) vividas lá. Então, onde quer que eu esteja, parte de mim sempre vai ser paulista, com orgulho.

Aí, em 2008, veio Nova York. Até então – pra seguir na minha analogia do namoro – nunca tínhamos tido um compromisso de longo-prazo. Aliás, era a primeira vez que eu morava fora do Brasil.

“Ai, que chique”, algumas pessoas me diziam, quando eu contava sobre a mudança. Que nada, gente, viver em NY foi incrível, mas zero glamour. Apartamento pequeno, sem porteiro, sem lavanderia, empregada só a cada 15 dias, pegando metrô todo dia, fizesse chuva, sol ou neve. Mas eu não reclamava não. (Mentira, reclamava sim, mas feliz.)

Em NY, aprendi que toda minha banca de mulher independente não servia pra nada na hora que a saudade apertava, que falar inglês com sotaque não é um problema (pelo contrário), e que dá pra trabalhar muito e ainda sair em um horário razoável, sem culpa.

Mas a vida é feita de ciclos e meu ciclo nova-iorquino foi curto – pouco menos de 2 anos. Casei e, em 2010, começava minha relação com Miami. Não foi amor à primeira vista. Calor demais, outlets demais, Romero Britto demais, rs. Mas a cidade me conquistou. Miami me trouxe qualidade de vida, paz de espírito, a oportunidade de trabalhar no modelo de home-office, um novo time pra me matar do coração (Let’s go Heat!) e o ambiente perfeito pra começar minha família. Em Miami, me tornei mãe :) e, bom… isso, por si só, já garante um lugar cativo pra cidade nos meus ‘Top 5 Cities in the World’.

Em algumas semanas, vamos nos mudar de novo. E eu estou aqui, olhando pela janela a Biscayne Bay e o Bayfront Park, com o coração apertado. Vou sentir saudades. Mas, se vou sentir falta, é porque a experiência valeu a pena. E como valeu.

Próxima parada: Atlanta. I’m ready :)

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O fim do… “Tia, posso olhar o seu carro?”

Miami é uma dessas cidades em que você precisa ter carro pra se virar. Quando alguém diz que alguma coisa é “perto” aqui, quer dizer que é perto pra ir de carro. Então, não tem jeito, a experiência com a cidade passa por dirigir, abastecer, estacionar…

Quem me conhece sabe bem: eu detesto dirigir. Vivia dizendo isso em São Paulo. Quando me mudei pra Nova York, uma das vantagens que eu via era justamente essa, não precisar de carro. E por aí vai. Mas, dia desses, estava me dando conta de que, depois de 2 anos em Miami, nunca mais reclamei disso.

A princípio, achei que o motivo era bem óbvio: aqui não tem trânsito e o carro é automático. Mas vai além disso. Tem a ver com a boa condição das highways, com a boa sinalização, com o fato das ruas serem numeradas de um jeito lógico, com motoristas que respeitam as leis de trânsito e, não ria, tem a ver com o fato de não ter ninguém me perguntando “Tia, posso olhar o seu carro?”.

Juro, esse negócio dos flanelinhas em São Paulo me tirava do sério. Não por ter que pagar para estacionar na rua (aqui também se paga), mas por me sentir obrigada a pagar pra não correr o risco de ser retaliada. Achava o fim do mundo. E, claro, não vou nem comentar o fato deles me verem como “tia” :)

Por aqui, as vagas nas ruas são todas demarcadas (e bem amplas, considerando que ainda tem mais SUVs que compactos) e você tem que usar os parquímetros para pagar pela quantidade de tempo que você pretende usar a vaga. Ou – e essa, pra mim, é a invenção mais útil de todas – você pode usar o serviço Pay By Phone, que te permite pagar o estacionamento pelo celular. Tem em quase todo lugar e, numa cidade quente como Miami, faz bastante diferença não ter que ficar debaixo do sol para usar o parquímetro.

O serviço é bem prático: você liga e fornece o location number (esse escrito na placa verde), o número de minutos que deseja usar e, pronto, o valor é descontado do seu cartão de crédito (previamente cadastrado) e essa informação vai automaticamente para os computadores/tablets dos guardas de trânsito. Aí, quando faltam 5 minutos para expirar o seu tempo, você recebe um aviso por sms, com a opção de extender seu período de estacionamento. Life saver. Do jeito que sou distraída, esse alerta já me livrou de muitas multas.

Outra coisa útil é poder entrar no site e ter acesso ao relatório detalhado dos dias em que o serviço foi usado. Não é meu caso, mas, pra quem precisa pedir reembolso de estacionamento, por exemplo, é muito mais prático e organizado do que ficar juntando um monte de papelzinho, recibo etc.

Então é isso. Minha conclusão: eu não odeio dirigir, no fim das contas. O que eu não gostava era de dirigir no caos paulistano. Só eu, né? :)